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HISTÓRICO - SANTANA

No século passado, onde hoje temos o bairro Santana, havia um arraial chamado São Miguel. Não passava de um banhado, cortado múltiplas vezes pelo tortuoso Arroio Sabão. Local ermo, de poucos freqüentadores e de moradores com fama nada amigável, o bairro não passava de umas poucas casas distribuídas pela sua rua principal, a Santana, mas que na época a denominação devia-se a seus moradores, chamava-se Rua dos Pretos Forros ( escravos alforriados).

Após a Guerra dos Farrapos, mais para a metade do século passado, a população começou a se interessar pela região, com intenções de habitá-la. Sua proximidade à Várzea ( atual Parque Farroupilha ), onde se localizava o Prado da época, era o atrativo que despertou o local para a cidade.

Em 1865, o Visconde da Boa Vista, governador da província, vê necessária a abertura de nova via pública por aquelas proximidades, cortando a Rua dos Pretos Forros e se estendendo até o Riacho; a nova via, carregou consigo o nome de seu criador, Rua Boa Vista.

Lentamente se desenvolvendo, estas terras ganhariam, ao final do século XIX, o Prado da Boa Vista, sito à Rua Boa Vista. Era de tamanho suntuoso, tanto que, após sua mudança para os Navegantes, parte de seu território se transformou no campo de futebol do Sport Club Americano, que foi campeão da cidade em 1924,28 e 29.

A este tempo, a Rua dos Pretos Forros, que já havia mudado seu nome para 28 de Setembro, em lembrança à Lei do Ventre Livra, desta data, passara a denominar-se rua Santana, remontando a origem da cidade, em homenagem a um de seus primeiros nomes o de Sesmaria do Morro Santa Ana. Recebia também nova nomenclatura a Rua Boa Vista, então Vicente da Fontoura. Era o Santana que se consolidava e começava a tomar a forma de que hoje tem.

Logo após estas mudanças, a rua Santana é ampliada, se alastrando para além do Riacho, através de uma ponte sobre ele construída. E é esta obra que possibilita “ a introdução da linha de bondes da Cia. Carris Urbanos, para o Partenon, através do Bom Fim e da rua Santana.”

Reafirmando o espírito de comunidade da zona, em 1931 é erguida a paróquia de São Francisco de Assis, padroeiro do bairro e responsável por muitos eventos que lá ocorreram desde então.

Não podemos esquecer dos muito alegres carnavais de rua que o bairro desfilou, durante as polêmicas décadas de 60 e 70, invadindo um pouco os anos 80. É um bairro de história, que se organizou, cresceu e desenvolveu. Hoje lá se misturam casas, edifícios e comércio com bastante harmonia, num ponto central.

1 Franco, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. p. 373 e 374.

Historiadora Renata Ferreira Rios.

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