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BOM FIM
As origens do bairro Bom Fim remetem ao antigo Campo da Várzea, uma área pública de 69 hectares que servia de acampamento para os carreteiros e na qual permanecia o gado destinado ao abastecimento da cidade.

O campo da Várzea converteu-se em Campo do Bom Fim devido à construção da Capela do Senhor do Bom Fim, iniciada em 1867 e concluída em 1872. Assim, o nome do pequeno templo - por extensão - acabou denominando todo o local. A Avenida Osvaldo Aranha, espécie de marca registrada do bairro, era chamada, até 1930, de Avenida Bom Fim.

Até o final do século XIX não houve grandes alterações no local. Poucas casas velhas e algumas chácaras espalhavam-se na região. Todo o resto, segundo cronistas como Ary Veiga Sanhudo,(1) "era bom mato, com excelente caça, onde inúmeras vezes encontravam seguro abrigo os escravos fugidos". Após a Abolição muitos libertos, sem ter para onde ir, instalaram-se na região, que passou a chamar-se - extra-oficialmente - de "Campo da Redenção".

Por volta do final da década de 1920, os primeiros membros da comunidade judaica começaram a se instalar ao longo da Avenida Bom Fim. Algumas residências, pequenas lojas e oficinas deram início ao processo de povoamento efetivo do bairro. A diversificação desse pequeno comércio acompanhou o crescimento natural da cidade, vindo o Bom Fim a constituir-se como bairro residencial e comercial, destacando-se as sofisticadas lojas de móveis e o tradicional brique da José Bonifácio.

A esse bairro "real", caracterizado ainda pela boêmia e pela intelectualidade, Moacyr Scliar(2) contrapõe, com saudade, o bairro "mítico". O Bom Fim dos emigrantes judeus, de sua infância.

Apesar da atual diversidade de moradores, o Bom Fim permanece como símbolo da colonização judaica em Porto Alegre.

1. Porto Alegre: crônicas de minha cidade, p.108.
2. Zero Hora, 15/01/89, p.03.
(Luciano Ávila)

 

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