A abertura
da Rua Fernando Machado remonta aos primórdios da história
da cidade, ainda no século XVIII.
Era chamada, inicialmente, de Rua do Arvoredo em virtude da grande quantidade
de árvores existentes ao longo de seu percurso.
Habitada por pessoas simples, proprietários de casas
de capim, a rua permaneceria caracterizada, ao longo do século
XIX, por sua condição social modesta. fábrica
de lingüiça de carne de gente .
Um fato insólito, que iria marcar a história da Rua do
Arvoredo, ocorreu durante a década de 1860. Trata-se do caso
de José Ramos e de Catarina, sua mulher, que atraíam
indivíduos para a sua residência a fim de matá-los.
Os corpos das vítimas eram então transformados em lingüiça,
que era vendida à população. A notícia
de que na Rua do Arvoredo funcionava uma fábrica de lingüiça
de carne de gente provocou um enorme impacto nos habitantes da
cidade, na época, e até hoje causa espanto...
Em 1867, são iniciadas as obras daquele que se tornaria
o mais imponente prédio da Rua do Arvoredo. Trata-se do Seminário
Episcopal, na esquina da Rua Espírito Santo. Tal prédio
- hoje Cúria Metropolitana - foi originalmente projetado pelo
engenheiro francês Villain. Com o afastamento deste, em 1869,
o arquiteto alemão Johann Grünewald, conhecido como Mestre
João, concluiu as obras, alterando contudo o projeto inicial.
O estilo belo e monumental de Grünewald motivou o cronista Athos
Damasceno a qualificar a Cúria como o único monumento
da cidade (1).
Em 1870, por resolução da Câmara Municipal, a Rua
do Arvoredo é rebatizada como Rua Coronel Fernando Machado, em
homenagem ao estimado militar catarinense falecido em 1868 na Guerra
do Paraguai.
(1) Elmar Bones da Costa (ed.), História Ilustrada de Porto Alegre,
Pg.105.
(Luciano Ávila)